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ARTE, FILOSOFÍA Y LITERATURA "COLIBRI" de GLORIA DÁVILA

"La poesía abre surcos grandes, fronteras, no tiene banderas y sueña con alas de Colibrí". Gloria Dávila Espinoza (poeta peruana)

15 Julio 2009

UMA FLOR AO LUNAR, del poeta portugués MANUEL FELICIANO

 

Uma fl or ao luar

Uma fl or ao luar. Que direi eu?

Dessa voz que me diz e não fala

Desse corpo sincero feito de ilha

Dessa raiz que sofre nesse canteiro

Dessa seiva que é um oceano

Desse beijo que os teus lábios não querem

Dessa bomba que nasce quando me aproximo

Que destrói esse segredo que não posso

Desse sorriso que ao tocar-lhe me assassina

Desse Deus que fi ca no limite das pétalas...

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Inverno

De Inverno

Caiem lágrimas sem rosto

Pelas árvores abaixo

E a lua cintilante é como um barco no céu

Não desiste desses rostos cansados

Que caiem como sementes na terra

Por entre o sol nutrindo as caras

Dentro do suspirar das folhas

Há um ventre de mãe que embala

Corações que batem ao ritmo do vento

E de verão

Há corações que não batem através de folhas secas

Sementes que desejam o húmus das tuas mãos

Há palavras que morrem e vivem por dentro

Por entre leitos de rios sem lágrimas

A lua - mãos em fogo - fl or desidratada

A chuva chega seca por entre os dedos

O mar morre entre meus lábios e os teus.

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Êxtase

É de noite por entre carícias e beijos

O sol é uma cama de palha

Onde as línguas se enrolam

Como animais à solta

As nuvens são uma janela baça

Que não deixam ver por fora

Por entre um fervilhar por dentro

As mãos são barcos lânguidos

Em forma do vento em proa

Pedindo entre as bocas esmola

Os lábios - pedaços de névoas

Em busca do corpo na lua

E os gritos - arco-íris em fuga

Raízes que mordem o sono dos montes!

miolo

 

As palavras embaladas

Atribuir sentido ao mundo que nos rodeia é uma tarefa

árdua e impossível de realizar sem perdas signifi cativas.

O aparato perceptivo de cada um de nós só pode ser

comunicado a outros através do uso da linguagem,

embora nunca de forma plenamente satisfatória. A

linguagem, além de tudo o que há nela de absolutamente

privado, é um modo necessariamente pobre de dar a

conhecer algo. Se, enquanto veículos de informação,

as palavras são uma forma de combater o silêncio e

aproximar experiências, são também, por outro lado, a

representação resignada das limitações humanas; o que

lhes vem anexado são convenções que facilitam o gesto

de entender. Se falamos numa determinada experiência,

num pássaro que voa, por exemplo, o nosso interlocutor

percebe do que falamos porque forma uma imagem de

um pássaro a voar. Embora perceba a experiência de que

falamos, só a percebe através da generalização. Tem um

conceito geral de pássaro e outro do acto de voar que usa

para atribuir sentido ao que dizemos, mas, na verdade,

está longe de conhecer o pássaro de que falamos. Assim,

as palavras são apenas tentativas falhadas de conhecer

realidades.

Partindo desta inevitabilidade, a propósito da experiência

visual de "Uma fl or ao luar", Manuel Feliciano interroga-

-se: "Que direi eu?"1 Isto é, perante uma sensação, o que

dizer? Com que palavras a eternizar? Haverá mais a fazer

do que a resignação tautológica de que "Uma fl or ao

1 Poema "Uma fl or ao luar. Que direi eu?"

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luar" é apenas "Uma fl or ao luar" ou é possível captar-

-lhe a essência e fossilizá-la dentro de nós? A poesia é as

coisas e não a descrição das coisas; como tal, só pode ser

desejada quando diluída na própria experiência sensível.

É por isso que Manuel Feliciano diz ter "medo das

palavras / que vêm como lenha a arder / e casacos com

traça / cobrir olhares de esperança", medo de "palavras

sem colo e sem útero", medo de "palavras que não

podem ser / nem comboio nem carro"2. O que está aqui

em jogo é o papel insufi ciente das palavras na poesia, as

palavras que, "sem colo e sem útero", não podem delas

fazer nascer nada; palavras que não são "nem comboio

nem carro", que não conduzem a lado nenhum; palavras

que se consomem a si mesmas, como "lenha a arder" ou

"casacos com traça".

Como diz Nietzsche, "Julgamos saber algo das próprias

coisas quando falamos de árvores, cores, neve e fl ores e, no

entanto, não dispomos senão de metáforas das coisas que

não correspondem de forma alguma às essencialidades

primordiais3. Se isto é verdade, a poesia, enquanto modo

de expressão verbal, é um esforço vão, porque não há

forma de aceder "às essencialidades primordiais", e um

poema, enquanto conjunto de palavras estéreis, é tão-só

um abandonado campo de batalha cheio de cadáveres.

Ainda assim, diz-nos Manuel Feliciano, "não há barcos

de pedra que impeçam / uma fl or a ressuscitar por entre

cadáveres"4. O acto poético consiste, pois, na verifi cação

de que, mesmo por entre palavras que não dizem nada,

2 Poema "Tenho medo de palavras"

3 NIETZSCHE, Friedrich; "O Nascimento da Tragédia e Acerca da Verdade

e da Mentira no Sentido Extramoral"; Lisboa: Relógio d'Água, 1997,

pp. 219.

4 Poema "Deste barco de pedra que me deram"

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por entre palavras que são apenas etiquetas das coisas, há

fl ores a ressuscitar; consiste na verifi cação de que, com

ou sem palavras, há "uma fl or ao luar" e que ela produz

um efeito poético.

São, portanto, as coisas em si que contêm propriedades

poéticas e não as descrições que se fazem delas: um

poema sobre "uma fl or ao luar" é a própria fl or ao luar.

Manuel Feliciano reage contra o despojo que se faz

das próprias coisas, contra um tipo de poesia artifi cial

que, em abono de uma ideia ornamental, transforma as

coisas até que elas deixem de ser elas mesmas. Por isso,

diz-nos:

Não quero varrer a casa

Onde chovem palavras através da lua

5

Só as palavras que "chovem" directamente das coisas,

que jorram da essência delas, têm valor poético e só essas

devem ser preservadas; o resto é enganos e blasfémias.

Esta reacção contra uma dicção poética que destrói o

objecto é semelhante ao projecto poético de William

Wordsworth, para quem esse tipo de poesia mais não

faz que "assassinar para dissecar"6. Para o poeta inglês, a

linguagem poética deveria ser nítida, despida de excessos

e de tudo o que não fosse natural, por só assim ser

possível representar os sentimentos de forma verdadeira.

Por isso, os seus poemas tinham um objectivo: "ilustrar

o modo pelo qual os nossos sentimentos e ideias estão

associados, num estado de excitação", "seguir os fl uxos

5 Poema "Não quero varrer a casa"

6 WORDSWORTH, William; "Th e Tables Turned"; Th e Major Works.

Oxford: Oxford U.P., 2000, pp. 130.

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e refl uxos da mente quando alvoroçada pelas grandes e

simples afeições da nossa natureza"7. O que os poemas

de Wordsworth pretendiam era, portanto, aproximar-se

o mais possível da experiência sensível ou ser mesmo a

própria experiência sensível. Fazer poesia, neste sentido,

é viver uma experiência; é ser levado pela torrente dos

"fl uxos e refl uxos da mente quando alvoroçada pelas

grandes e simples afeições da nossa natureza".

No poema "Amor", assinado por Luís Azevedo, podemos

ler que um "poema não tem mais que o som do seu

sentido"8. De acordo com este verso, a poesia é apenas

sons, talvez os "fl uxos e refl uxos da mente" de que fala

Wordsworth. E é-o porque "o poema não se escreve

com letras, / escreve-se com grãos de areia, e beijos,

pétalas e momentos / gritos e incertezas"9. As palavras

são apenas ilusões; o que é poético é a vida. Mas estas

ilusões alimentam-se da vida. No fi m de contas, "a

língua pasta no campo / na fl oresta ou na cidade"10.

Nestas circunstâncias, o espectáculo que emerge de

dentro de um poema consiste na fusão entre os

referentes (palavras) e o que é referido, entre expressão e

experiência empírica. Assim sendo, a linguagem poética

é aquela na qual as palavras não remetem para nada, no

qual sejam o seu próprio conteúdo. Fazer poesia é fazer

das palavras seres vivos, é dar-lhes um estatuto para

além do de veículos simbólicos, é fazer delas mais que

etiquetas que remetem para aquilo que etiquetam.

7 WORDSWORTH, William; "Preface to Lyrical Ballads"; Th e Major

Works. Oxford: Oxford U.P., 2000, pp. 598.

8 Poema "Amor..."

9 Poema "Amor..."

10 Poema "A língua pasta no campo"

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Se tivermos em conta o argumento de Wordsworth de

que "a Poesia é o transbordar espontâneo de sentimentos

poderosos"11, podemos então perceber por que razão

pode Manuel Feliciano dizer que "na serra do Marão

/ eu inventei o mar / no verde da rama dos pinheiros

/ molhei o corpo nas águas / e nessas pedras / deitei

o barco às ondas."12 A criação poética, enquanto

"transbordar espontâneo de sentimentos poderosos" é

inventar o que não está inventado, é a possibilidade de

contemplar o que não é possível contemplar, a serra do

Marão como uma paisagem marítima; é a possibilidade,

como Rimbaud que faz corresponder as vogais a cores,

de fundir duas experiências numa só; é fazer da descrição

de uma contemplação a própria contemplação; é fazer

das palavras mais do que palavras. Neste contexto, a

poesia ultrapassa as fronteiras da representação e passa

a ser, ela própria, representação e representado.

Da mesma maneira que "há no mar um ventre de mãe

que embala / palavras que escorrem através da chuva"13,

um poema é um embalo suave do que chove no mar e

as palavras, assim embaladas, a ilustração plausível do

movimento ondulatório da mente poética, em êxtase

perante a contemplação das emoções que dentro dela

se contorcem. Perante isto, o que dizer de "uma fl or ao

luar"? O que dizer "dessa voz que me diz e não fala /

desse corpo sincero feito de ilha / dessa raiz que sofre

nesse canteiro / dessa seiva que é um oceano / desse beijo

que os teus lábios não querem / dessa bomba que nasce

quando me aproximo / que destrói esse segredo que

11 WORDSWORTH, William; "Preface to Lyrical Ballads"; Th e Major

Works. Oxford: Oxford U.P., 2000, pp. 611.

12 Poema "Na serra do Marão"

13 Poema "É Inverno"

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não posso / desse sorriso que ao tocar-lhe me assassina /

desse Deus que fi ca no limite das pétalas"14? O que dizer

de tudo isto? A resposta mais indicada seria: nada de

relevante. Mas, ao mesmo tempo, fazer do acto de não

dizer nada de relevante a própria resposta e responder

assim com um embalo inconsequente mas decisivo.

Nuno Amado

Julho de 2008

Email:

poetic_spirit60@hotmail.com

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1 comentario · Escribe aquí tu comentario

José Luís Samper Martínez

José Luís Samper Martínez dijo

Creo que entre las cosas que nos salvarán está la poesía... y los poetas.

15 Julio 2009 | 11:06 PM

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GLORIA MARGARITA DAVILA ESPINOZA. Nació, en Huanuco, Perú el 1 de abril de 1961. Es hija última entre diez hermanos. Su padre fue Pedro Dávila Facundo (Dos de Mayo) maestro y periodista. Su madre Liduvina Espinoza Ferrer (Llata) ESTUDIOS: Estudió Lengua y Literatura en las Universidades “Hermilio Valdizan” de Huanuco y Los Ángeles de chimbote, Especialización en Tecnología con Nivel de Postgrado, Convenio de CIAP- Universidad Nacional Mayor de San Marcos, Lima. Maestría en Educación, Mención Investigación y Docencia Superior, en la Universidad Nacional Hermilio Valdizán, Huanuco. Actualmente cursando el Doctorado en Ciencias de la Educación. Es políglota: alemán, ingles, portugués, y es quechua parlante. EXPERIENCIA LITERARIA: 2001: Primer Puesto en Poesía “I Juegos Florales Universitarios”, organizado por la Universidad de Huanuco. 2003: Funda el Círculo de Autores y Escritores, CAE, de Leoncio Prado- Huanuco Ha sido Cofundadora y Presidenta del Directorio de "Runa Asociación Pro Cultura”, Cofundadora de Casza de Poesía, revista en papel y electrónica, Cofundadora de Colibrí Amaro Ediciones. Es activista y promotora cultural. Funda “Arte Filosofía y Literatura “Colibrí”, http: //www.espacioblog.com/gloria-davila, con el que promociona a personajes del arte y la literatura. 2006: 1 de Abril, es premiada, Los Mejores del año 2005, como la Mejor Poeta del Año, por la Asociación Nacional de Periodistas del Perú, filial Tingo Maria, Ha sido representante de la Casa del Poeta Río Grande do Sul, Brasil. Vicesecretaria de la Asociación de Escritores de la Orbe (ASEADLO). Presidente de CAPPAZ para Perú, desde BRASIL Ha sido premiada y condecorada en varias ciudades y países. Como Huésped Ilustre, Hija Predilecta, Visitante Distinguida. ESCRITOS: Ha escrito más de 16 libros que son inéditos y muchos poemas, publicados en antologías, revistas (Israel, Arabia, Estados Unidos, México, España, Uruguay, Brasil, El Salvador, Chile, Perú) sus escritos fueron publicado en periódicos, la radio, y en varias páginas en el Internet y la televisión. 2005, lanzó su libro en Perú y Brasil, por el mismo recibió grandes elogios y ha sido invitada a escenarios congresos, recitales importantes en Perú, Bolivia, Argentina, Colombia, Uruguay, Chile y Francia. Ha viajado por Europa y ahora invitada a París para el encuentro Mundial de Poetas del Mundo. Tiene actualmente preparando una novel a, "La Firma", Mis Años y el humo y un “Jonás y otros cuentos para niños” 2007 ha publicado el poemario “Kantos de Ishpingo” presentado en Buenos Aires, Argentina, con el prólogo y presentación de Manuel Lozano. Y en Cuba por Roberto Bianchi aBrace. Publica por primera vez en Archivos del sur poemas en el Espacio de Autor II - Galería de imágenes Impresiones Haber viajado por casi todo el Perú y parte de América latina, Centroamérica y Europa, me ha dejado grandes enseñanzas y amistades. Sé que el mundo es tuyo y de todos si tú lo quieres. Mis manos son las tuyas y mi pensamiento es de nuestro universo todo, en el que el ideal sea poesía para cambiar el mundo a favor de todos, una poesía comprometida con un pueblo que lucha por obtener sus derechos humanos, una poesía que trasunta el alma humana. Poeta-escritora-teatrista, promotora Cultural Presidenta de Fundación de Premios "Runa Simi', Perú-Alemania Embajadora Universal de la Paz - Perú/Ginebra, Suiza. Miembro de REMES. Desde España y México Coordinadora General de Unión Hispanoamericana de Escritores UHE para América Corresponsal de El Oro de los Tigres - Buenos Aires, Argentina Corresponsal de la Revista Peruana de Literatura, Perú Representante y socia de Sociedad de Escritores de Latinoamérica y Europa, desde Milán -Italia Consulesa de Poetas del Mundo, Huanuco Perú, desde Chile Representante de aBrace, Montevideo Uruguay Embajadora Literaria de ASEADLO. Embajadora para Alemania de A.S.O.L.A.P.O Directivo de la Revista Internacional,"Olandina"- Perú Presidente de CAPPAZ, para Perú desde Brasil Corresponsal de la Página Cultural del Quincenario El Pregonero Blogs: www.lacoctelera.com/poesias-y-nirvanas Contactos E-mail de contacto gloriaschreiber@hotmail.com www.lacoctelera.com/poesias-y-nirvanas Contactos E-mail de contacto gloriaschreiber@hotmail.com

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