THERESA RUSSO, POETA BRASILEIRO-JUDAICA-ITALIANA, INVITADA ESPECIAL
Foto: Theresa Russo, propiedad de la autora
A mulher dos espelhos
Theresa Russo
Eu amei de imediato essa mulher. Essa mulher do espelho. Eu não traço uma idéia de onde ela vem nem tampouco para aonde ela vai. Acho que essa mulher foi assim criada dum espelho. Veio em reflexos submersos, congruentes, dísticos, divergentes em côncavos suspiros de montanhas das ilusões. Veio ela por entre as fendas do mirante, veio toda como um sacro navegante, como coral cintilante feito bússola dos pescadores perdidos em alto mar. Veio essa mulher como um cometa sustenido em ré maior, veio rapsódia serena numa manhã de quase primavera. Veio ela como um lampejo sinistro, entre os sóis de um Via Reflectia. Veio meretriz, veio cinderela, essa eu, essa ela, essa que reflete meu tormento, meu rebento, meu quedar. Eu amei de imediato a essa mulher. Não físico-químico, não matemático, não catedrático, não diplomático. Lunático-esse meu novo estar. E se ela quer voar, tem as asas do querer! Fico eu aqui em meu universo, coletando letras na ponta de um neurônio, como um cordel sonhador...
POEMA NÓS (Theresa Russo & Neide Mendes)
Sonhei
Que ia me dar carinho
Colo
Porque sentes
Eu precisava muito disso
Então amor
Sobre isto que escrevo
Pegar-te no colo
E se chorasse
Enxugaria teu pranto
Se sentisse frio
Daria-te manto
Que nunca pensei amar deste jeito
Quero que durma e acorde em meu peito
Não porque é carne
Mas por ser canteiro
Onde sonhei fincar meu jardim de sonhos
Que se sofrer
Estarei com meu rico silêncio
Para tua palavra
Das dores do mundo
E o meu intento
E ver-te pacificada
Em ti mesma
Porque já és
Minha paz
Que não há fome
Em todo esse mundo
Igual a da falta de amor
E estou com teu pão
Aqui em meu coração
Em minha mente
Ser teu alimento
Tua cama alada
Mesa com flores coloridas
Em toalha de cambraia
Branca
Com raios de sol
Emaranhados
Entre nós...
O Eu
Theresa Russo
Eu?
Eu não sou mais nada do que eu
Eu mesmo
Eu mesma sou
Nada mais que um jeito torto
Nada mais que um ensaio
Que um aborto
Também de mim
Eu?
Eu nada sou mais
Do que sou
Carta honesta
Porta semi-aberta
Um tango duro
Escrevo
Como penso
Pendulo
Como sonho
Sonho
Como se fosse
Meu ultimo suspiro
Eu?
Eu vivo
Porque sou rente
Nunca ao chão
A não ser
Um chão de estrelas cadentes...
BIOGRAFIA:
Cearense, filha de mistura brasileiro-judaica-italiana.Professora adjunto pesquisadora da UECE. Doutora em Bioquimica pela UFC. Trabalho com enzimas antioxidativas,em funçao do entendimento do envelhecimento e morte celular. Adicionalmente, gosto de escrever poesia e prosa poética e, gosto de desenhar com grafite, brincar com óleos e esculpir em paredes. Sou uma pessoa simples que ama a vida e a natureza dela.

Theresa Russo dijo
Estoy muy honrada com el homenagem a mim concedida por esa mujer poeta especial Gloria Dávila..Ese es una alianza entre nos otros onde la poesia es uno elo de diamante , carne y espirito
Muchas gracias querida mia amiga Gloria.
25 Junio 2009 | 11:53 PM