Un poeta fantástico llamado Manuel Luís Feliciano, desde Lisboa Portugal y su poemario: Pedaços de gente em mim
Solta-me os teus cabelos (c) Manuel Feliciano
Por: Gloria Dávila Espinoza
Conocí a Manuel Feliciano, en la net y de inmediato tomamos contacto, aquel día hablamos horas de horas y resumí que su visita a Perú lo ha dejado impactado, él dice que ama Pérú, vive enamorado de Arequipa yAmérica.
Nos ofrece hoy parte de lo que escribió Paola Cristina Acosta, lo que es el prefacio de su obra poética. Acá lo tenemos con su libro Pedaços de gente em mim.
Espero sea de vuestro agrado.
Poema em homenagem a Glória Davila Espinoza
Em raízes frescas da amazónia
De chão – pássaros de luz
A nidificarem-me os ombros
Por entre a folhagem dos dedos
E ventres olhares de esperança
Vem desaguar em mim como cataratas
Em tempo sem pele carcomida
Em relógios sem corda
Ser-me barco a correr-me
Na saliva da boca
Deixa-me tocar-te…
Em faunas e floras aquáticas
Inventar-te crianças
No barro do teu corpo
Ser-te água e chuva
Por entre teus caminhos de luas
Vem ser sal na minha boca
E pão dos índios feito sol
em: A m a z o n a s
U c a y a l i s
H u a ll a g a s
Vem ser-me planta sempre nova.
A cidade e a memória: paisagens com mulher e palavras ao
fundo
Este primeiro conjunto de poemas publicado por Manuel Luís Feliciano, Pedaços de gente em mim, embala no ritmo dos seus versos, a melodia e o cheiro da juventude, o caminho já bem delimitado, de uma memória errante pela cidade, do sonho e da ilusão do amor associados à construção de um mundo uno e perfeito. O soneto é a forma clássica privilegiada para explorar frequentemente o diálogo dramático entre um eu e um tu. Este tu é um tu feminino, a mulher que atrai e se deseja, a volúpia da Primavera que se aguarda e se anseia para lhe roubar um beijo, uma andorinha, um suspiro de amor ou apenas o perfume de uma magnólia. O rastro da mulher que passa, intersecciona-se, nesta poesia, com as paisagens e estados de alma diversificados que estes versos constróiem. Assim, os rios, Douro e Tejo, as cidades, Porto e Lisboa, mas também Nova Iorque ou Arequipa (Perú), são lugares reais ou imaginados, por onde este viajante anda de olhar perdido, atento as todas as paisagens que se entrelaçam nas mãos desta mulher, para através delas abrir um novo horizonte onde a utopia de um mundo mais perfeito seja ainda possível: Das paisagens entrelaçadas as tuas mãos Abrindo um horizonte sobre o peito Projectando pedras como rosas Num eflúvio despertar somos irmãos Acreditando que o mundo pode ser perfeito O mundo é pagão e em nós é uno[1] Esta errância pela cidade e pelos cais da memória, diria Cesário Verde, também como no poeta de O Sentimento de um Ocidental, em ruas lânguidas ao fim da tarde, por bairros antigos ou modernos, arrasta consigo também, inevitavelmente, de modo implícito, outras vezes, explícito, a voz de Pessoa e dos seus heterónimos: Ricardo Reis, no poema Mito que evoca a conhecida ode deste poeta pagão, Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio; no poema intitulado Pessoa, Fernando, onde a imagem do errante peregrino, do forasteiro que caminha por campos ou estradas, percorre o ciclo tríplice dos três heterónimos, para além do ortónimo: Caeiro, o pastor dos seus pensamentos; Ricardo Reis, procurando Lídia no rio ao fim da tarde; Álvaro de Campos e Fernando Pessoa, ele-próprio, pelo permanente vício de pensar e de, através do sonho, partir sempre em viagem, ao olhar para o cais distante, para um qualquer porto infinito; Alberto Caeiro, no poema New York, em substituição do lugar de sentido que toma Cesário Verde, num dos poemas do Mestre[2]: Chego ao fim do dia e leio Caeiro E lembro de comprar flores p`ra namorada Ao longo deste conjunto de poemas, Lisboa é, sem dúvida, a cidade que mais convida à errância deste poeta: dela parte para a sexualizar de mulher, em metáforas como, Lisboa penteia-se ao sabor dos buzinões e dos fios da claridade[3], ou em metáforas menos primaveris e mais outonais, como, Lisboa está doente Tem os cabelos desmanchados[4]. Esta dilaceração entre o amanhecer e o entardecer da cidade, em sintonia com o ciclo das estações – da Primavera ao Outono – e ainda com a dilaceração entre o spleen e o idéal, diria Baudelaire, é um dos eixos centrais em torno do qual se movimenta esta poesia. Cidade e mulher, são lugares de sentido flutuantes que, assim como as palavras, são simultaneamente, deserto e oásis, vôo e queda, amor e desamor, ou apenas a bruma que os lábios / em chama desgatam nas rochas[5], e o silêncio que são as palavras no colo frio dos poentes.[6] Assim, também a mulher se deseja simples e nua, sem adornos, na essência e robustez da pedra, na nudez da forma[7] como as mulheres do Douro, mulheres da minha terra de seios voltados para o céu, evocadas pelo poeta com o esplendor solar e cósmico de uma grande-deusa da Terra, onde na frescura dos dedos /Deslizam-lhe os regatos[8]. Este conjunto de poemas de Manuel Luís Feliciano é a promessa de uma poética que se adivinha, já no seu amanhecer, iluminar paisagens que se desejam de uma beleza simples, de uma atenção solitária à cidade, às serras, ao rio, ao outro, às vozes em silêncio[9]…Nesta viagem do tempo e pelo tempo, o poeta canta e, como Orfeu, encanta a natureza e tenta salvar as suas diversas Eurídices mortas. Porque a escrita é, será sempre, como a verdadeira vida, uma fénix renascida, inscrição de vivências e sonhos, de imperfeições e de idealismos, de abandonos e de reencontros, como um simples banco velho de jardim: Hoje É uma cadeira velha Pintada num jardim Esfomeada por nádegas De miseráveis opulências Com braços caudalosos Em frenesins de etiquetas Tem no contorno do corpo Os versos polidos em flor Tatuagens vazias das impressões Dos dedos Pousam-lhes as borboletas Na maquilhagem Pensando o néctar O caruncho que o poema enjeita. Paula Cristina Costa

Lisboa, Agosto 2006
Mito
Ó Lidia, tu o mito
Renascida do húmus e do nada
Imagem lendária que é amada
No profano percorrer do infinito
Ó Lidia sentada na margem do rio
Na vida e na morte proclamada
Água que corre e não fica nada
A graça cessando o vazio
Tormento, fecundo gesto do silêncio
Vencendo as palavras amargas
No doce repercutir das mágoas
Ó Lídia, qual a morada?
Na incostância desta estrada
Naufraga na flor do meu verso!
O teu beijo
O teu beijo é uma borboleta
Mata a sede morde a água
É corpo esbelto-violeta
Foge para longe a minha mágoa
É uma magia oculta sobre mim
É o não ser eu, é sentir-me alguém
A descansar num campo junto a ti
Ver o mundo desabrochar mais além
Ver a neve cair num Verão quente
Cerrar o nevoeiro lentamente
Num desejo gemendo de esplendor
Voar e ser alma por um segundo
E tocar tão brevemente o mundo
Voltar a mim nos teus braços de amor.
Douro
Douro que tuas águas desprendes
De cristal abraçando margens
Num fio de água estendes
O espelho de belas paisagens
Ânsia debruçada na corrente
Leve segue sem abandonar
Cativo como a serpente
Correndo lentamente neste olhar
Que vejo nos braços navegar?
A sede que aquece o beijo?
O nú que tua face inspira.
Que prende e faz caminhar
Num íntimo e fresco desejo
O leito em que o teu corpo transpira!
8/13/2008
Biografia
Começou a publicar os primeiros poemas no Jornal Voz De Lamego na coluna de poesia. Publicou o primeiro livro “Pedaços de gente em mim” numa edição camarária e “Palavras em Guerra” pela papiro Editora, ambos foram apoiados pela Câmara Municipal de Resende. Alguém que goste de poesia e queira patrocinar o meu 3 livro que já se encontra feito, deixo o meu contacto de e-mail:
