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ARTE, FILOSOFÍA Y LITERATURA "COLIBRI"

La poesía vuela en alas del viento

12 Septiembre 2008

Un poeta fantástico llamado Manuel Luís Feliciano, desde Lisboa Portugal y su poemario: Pedaços de gente em mim


Por: Gloria Dávila Espinoza

Conocí a Manuel Feliciano, en la net y de inmediato tomamos contacto, aquel día hablamos horas de horas y resumí que su visita a Perú lo ha dejado impactado, él dice que ama Pérú, vive enamorado de Arequipa yAmérica.

Nos ofrece hoy parte de lo que escribió Paola Cristina Acosta, lo que es el prefacio de su obra poética. Acá lo tenemos con su libro Pedaços de gente em mim.

Espero sea de vuestro agrado.

Poema em homenagem a Glória Davila Espinoza

Solta-me os teus cabelos
Em raízes frescas da amazónia
De chão – pássaros de luz
A nidificarem-me os ombros
Por entre a folhagem dos dedos
E ventres olhares de esperança
Vem desaguar em mim como cataratas
Em tempo sem pele carcomida
Em relógios sem corda
Ser-me barco a correr-me
Na saliva da boca
Deixa-me tocar-te…
Em faunas e floras aquáticas
Inventar-te crianças
No barro do teu corpo
Ser-te água e chuva
Por entre teus caminhos de luas
Vem ser sal na minha boca
E pão dos índios feito sol
em: A m a z o n a s
U c a y a l i s
H u a ll a g a s
Vem ser-me planta sempre nova.

sábado, 13 de septiembre de 2008 03:09:41 a.m.

(c) Manuel Feliciano

Portugal

A cidade e a memória: paisagens com mulher e palavras ao

fundo

Este primeiro conjunto de poemas publicado por Manuel Luís Feliciano, Pedaços de gente em mim, embala no ritmo dos seus versos, a melodia e o cheiro da juventude, o caminho já bem delimitado, de uma memória errante pela cidade, do sonho e da ilusão do amor associados à construção de um mundo uno e perfeito. O soneto é a forma clássica privilegiada para explorar frequentemente o diálogo dramático entre um eu e um tu. Este tu é um tu feminino, a mulher que atrai e se deseja, a volúpia da Primavera que se aguarda e se anseia para lhe roubar um beijo, uma andorinha, um suspiro de amor ou apenas o perfume de uma magnólia.

O rastro da mulher que passa, intersecciona-se, nesta poesia, com as paisagens e estados de alma diversificados que estes versos constróiem. Assim, os rios, Douro e Tejo, as cidades, Porto e Lisboa, mas também Nova Iorque ou Arequipa (Perú), são lugares reais ou imaginados, por onde este viajante anda de olhar perdido, atento as todas as paisagens que se entrelaçam nas mãos desta mulher, para através delas abrir um novo horizonte onde a utopia de um mundo mais perfeito seja ainda possível:

Das paisagens entrelaçadas as tuas mãos

Abrindo um horizonte sobre o peito

Projectando pedras como rosas

Num eflúvio despertar somos irmãos

Acreditando que o mundo pode ser perfeito

O mundo é pagão e em nós é uno[1]

Esta errância pela cidade e pelos cais da memória, diria Cesário Verde, também como no poeta de O Sentimento de um Ocidental, em ruas lânguidas ao fim da tarde, por bairros antigos ou modernos, arrasta consigo também, inevitavelmente, de modo implícito, outras vezes, explícito, a voz de Pessoa e dos seus heterónimos: Ricardo Reis, no poema Mito que evoca a conhecida ode deste poeta pagão, Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio; no poema intitulado Pessoa, Fernando, onde a imagem do errante peregrino, do forasteiro que caminha por campos ou estradas, percorre o ciclo tríplice dos três heterónimos, para além do ortónimo: Caeiro, o pastor dos seus pensamentos; Ricardo Reis, procurando Lídia no rio ao fim da tarde; Álvaro de Campos e Fernando Pessoa, ele-próprio, pelo permanente vício de pensar e de, através do sonho, partir sempre em viagem, ao olhar para o cais distante, para um qualquer porto infinito; Alberto Caeiro, no poema New York, em substituição do lugar de sentido que toma Cesário Verde, num dos poemas do Mestre[2]:

Chego ao fim do dia e leio Caeiro

E lembro de comprar flores p`ra namorada

Ao longo deste conjunto de poemas, Lisboa é, sem dúvida, a cidade que mais convida à errância deste poeta: dela parte para a sexualizar de mulher, em metáforas como,

Lisboa penteia-se ao sabor dos buzinões e dos fios da claridade[3],

ou em metáforas menos primaveris e mais outonais, como,

Lisboa está doente

Tem os cabelos desmanchados[4].

Esta dilaceração entre o amanhecer e o entardecer da cidade, em sintonia com o ciclo das estações – da Primavera ao Outono – e ainda com a dilaceração entre o spleen e o idéal, diria Baudelaire, é um dos eixos centrais em torno do qual se movimenta esta poesia. Cidade e mulher, são lugares de sentido flutuantes que, assim como as palavras, são simultaneamente, deserto e oásis, vôo e queda, amor e desamor, ou apenas a bruma que os lábios / em chama desgatam nas rochas[5], e o silêncio que são as palavras no colo frio dos poentes.[6] Assim, também a mulher se deseja simples e nua, sem adornos, na essência e robustez da pedra, na nudez da forma[7] como as mulheres do Douro, mulheres da minha terra de seios voltados para o céu, evocadas pelo poeta com o esplendor solar e cósmico de uma grande-deusa da Terra, onde na frescura dos dedos /Deslizam-lhe os regatos[8].

Este conjunto de poemas de Manuel Luís Feliciano é a promessa de uma poética que se adivinha, já no seu amanhecer, iluminar paisagens que se desejam de uma beleza simples, de uma atenção solitária à cidade, às serras, ao rio, ao outro, às vozes em silêncio[9]…Nesta viagem do tempo e pelo tempo, o poeta canta e, como Orfeu, encanta a natureza e tenta salvar as suas diversas Eurídices mortas. Porque a escrita é, será sempre, como a verdadeira vida, uma fénix renascida, inscrição de vivências e sonhos, de imperfeições e de idealismos, de abandonos e de reencontros, como um simples banco velho de jardim:

Hoje

É uma cadeira velha

Pintada num jardim

Esfomeada por nádegas

De miseráveis opulências

Com braços caudalosos

Em frenesins de etiquetas

Tem no contorno do corpo

Os versos polidos em flor

Tatuagens vazias das impressões

Dos dedos

Pousam-lhes as borboletas

Na maquilhagem

Pensando o néctar

O caruncho que o poema enjeita.

Paula Cristina Costa


Lisboa, Agosto 2006


Mito

Ó Lidia, tu o mito

Renascida do húmus e do nada

Imagem lendária que é amada

No profano percorrer do infinito

Ó Lidia sentada na margem do rio

Na vida e na morte proclamada

Água que corre e não fica nada

A graça cessando o vazio

Tormento, fecundo gesto do silêncio

Vencendo as palavras amargas

No doce repercutir das mágoas

Ó Lídia, qual a morada?

Na incostância desta estrada

Naufraga na flor do meu verso!

O teu beijo

O teu beijo é uma borboleta

Mata a sede morde a água

É corpo esbelto-violeta

Foge para longe a minha mágoa

É uma magia oculta sobre mim

É o não ser eu, é sentir-me alguém

A descansar num campo junto a ti

Ver o mundo desabrochar mais além

Ver a neve cair num Verão quente

Cerrar o nevoeiro lentamente

Num desejo gemendo de esplendor

Voar e ser alma por um segundo

E tocar tão brevemente o mundo

Voltar a mim nos teus braços de amor.

Douro

Douro que tuas águas desprendes

De cristal abraçando margens

Num fio de água estendes

O espelho de belas paisagens

Ânsia debruçada na corrente

Leve segue sem abandonar

Cativo como a serpente

Correndo lentamente neste olhar

Que vejo nos braços navegar?

A sede que aquece o beijo?

O nú que tua face inspira.

Que prende e faz caminhar

Num íntimo e fresco desejo

O leito em que o teu corpo transpira!

Biografia

8/13/2008

Biografia

Manuel Luís Feliciano nasceu em Vilar de Barro – concelho de Resende, a 20 de Dezembro de 1975. Licenciou-se na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, na qual concluiu o curso de Línguas e Literaturas Modernas – Variante Estudos Portugueses e Franceses a 3 de Novembro de 2005.
Começou a publicar os primeiros poemas no Jornal Voz De Lamego na coluna de poesia. Publicou o primeiro livro “Pedaços de gente em mim” numa edição camarária e “Palavras em Guerra” pela papiro Editora, ambos foram apoiados pela Câmara Municipal de Resende. Alguém que goste de poesia e queira patrocinar o meu 3 livro que já se encontra feito, deixo o meu contacto de e-mail:

Blog personal:

http://manuelfeliciano.blogspot.com/

Correo electrónico:

poetic_spirit60@hotmail.com


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